Monday, May 7, 2018

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A arte da guerra

Pacote bomba nuclear dos EUA

Manlio Dinucci


A nova bomba nuclear B61-12 – que os EUA se preparam para enviar para Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e, provavelmente, outros países europeus – já está na fase final de produção.

Foi anunciado, no passado dia 1 de Maio,  pelo General Jack Weinstein, Chefe Adjunto do Estado Maior  da Força Aérea dos EUA, responsável pelas operações nucleares, ao expor num simpósio da Air Force Association, em Washington, perante um auditório escolhido de oficiais de alta patente e representantes da indústria bélica.

“O programa está a desenvolver-se muito bem”, sublinhou com satisfação o general, especificando que “já efectuamos 26 testes de engenharia, desenvolvimento e voo guiado da B61-12”.

O programa prevê a produção, a iniciar-se em 2020, de cerca de 500 bombas B61-12, com uma despesa de cerca de 10 biliões de dólares (pelo que, cada bomba acaba por custar o dobro de quanto custaria se fosse inteiramente em ouro)

Os múltiplos componentes da B-61-12 são projectados nos  Sandia National Laboratories  (2), em Los Alamos, Albuquerque e Livermore (no Novo México e Califórnia)e produzidos numa série de instalações fabris no Missouri, Texas, South Carolina, Tennessee.A bomba é testada (sem carga nuclear) no Tonopah Test Range (3), no Nevada. 

A  B61-12 tem “qualidades” completamente novas em comparação com a actual B61 instalada na Itália e noutros países europeus: uma ogiva nuclear com quatro opções de potência seleccionáveis; um sistema de orientação que a conduz com precisão em direcção ao objectivo; capacidade de penetrar no subsolo, mesmo através de cimento armado, explodindo na profundidade. A maior precisão e capacidade de penetração tornam a nova bomba adequada para atacar bunkers dos centros de comando, de modo a “decapitar” o país inimigo.

Uma B61-12 de 50 kt (equivalente a 50 mil toneladas de TNT) que explode no subsolo, tem o mesmo potencial destrutivo de uma bomba nuclear de mais de um megaton (um milhão de toneladas de TNT) que explode na superfície.

 A B61-12 pode ser lançada dos aviões de combate americanos F-16C/D, instalados em Aviano, e pelos  caças italianos, Tornados PA-200, estabelecidos em Ghedi. Mas, para usar todas as capacidades da B61-12 (especialmente a pilotagem de precisão), são necessários os novos caças F-35A. Isto acarreta a solução de outros problemas técnicos, que se juntam aos inúmeros verificados no programa F-35, no qual a Itália participa como parceiro de segundo nível.O complexo software do caça-bombardeiro, que até agora foi modificado mais de 30 vezes, requer mais actualizações.

Para mudar os 12 caças F-35, a Itália terá de gastar cerca de 400 milhões de euros, o que se soma à despesa ainda não contabilizada (estimada em 13-16 biliões de euros) para a compra de 90 caças e para a sua modernização contínua. Dinheiro que sai dos cofres do Estado (ou seja, sai do nosso bolso), enquanto o dinheiro derivado dos contratos para a produção do F-35 entram nos cofres das indústrias militares.

 A bomba nuclear B61-12 e o caça F-35, que a Itália recebe dos EUA, são, portanto, parte de um único “pacote bomba” que vai explodir nas nossas mãos.

A Itália estará exposta a novos perigos como base avançada da estratégia nuclear dos EUA contra a Rússia e contra outros países. Não há senão uma maneira de evitá-lo:

- pedir aos EUA, com base no Tratado de Não-Proliferação para retirar toda e qualquer arma nuclear do nosso território;
- recusarmo-nos a fornecer ao Pentágono, pilotos e aviões para o ataque nuclear, no âmbito da NATO;
- sair do Grupo de Planeamento Nuclear da NATO;
- aderir ao Tratado ONU sobre a Proibição de Armas Nucleares.

Existe alguém no mundo político disposto a não fazer política da avestruz?

Il manifesto, 8 de Maio de 2018






NdT: Fare la politica dello struzzo = Fazer a política da avestruz, fingir ignorar os perigos e as dificuldades sérias, quando são evidentes, a fim de evitar enfrentá-las (devido à crença de que a avestruz, perante um perigo, esconde a cabeça sob a asa ou na areia, para não o ver e, assim, acreditar eliminá-lo).


NO WAR NO NATO


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Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos




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