Saturday, July 7, 2018

PT -- Manlio Dinucci -- Spot televisivo da Ministra Trenta sobre o F-35



Spot de televisivo da Ministra Trenta sobre o  F-35

Manlio Dinucci

«Não compraremos outros F-35»: declarou, em 6 de Julho, à Omnibus no canal La7, a Ministra da Defesa, Elisabetta Trenta. Palavras que fizeram sensação: será que chegou, finalmente o Governo que “cortará as asas aos F-35”? De maneira nenhuma. A Ministra Trenta explicou que, das análises que está a fazer, poderia “descobrir que cortar custa fica mais caro do que manter,
 visto que haveria grandes penalidades”. Na realidade, recorda Giuseppe Civati, o Tribunal de Contas já declarou que a participação no programa dos F-35 não está sujeita a penalidades contratuais. A Ministra Trenta também observa que, em torno do F-35, há um final tecnológico e ocupacional que, por sua vez, seria cortado. Portanto, pressupõe que, em vez de cortar, a Itália pode atrasar, ao longo do tempo, a compra dos 90 caças  F-35  planeados. Então, manter-se-ia sempre, a aquisição desses 90 aparelhos.

Na divulgação através da TV,  a Ministra Trenta esquece-se de esclarecer os telespectadores sobre as questões essênciais. Acima de tudo, o facto de que a Itália não é, apenas, um país comprador, mas um sócio de segundo plano do programa F-35, chefiado pela empresa americana Lockheed Martin, primeira produtora mundial de armamentos aeroespaciais e missilísticos. Um dos programas de ponta da Lockheed Martin é o do F-35 Lightning II, definido como “o caça bombardeiro multifunções mais avançado do mundo”. Produzem-se três modelos: com decolagem e aterragem(br.aterrizagem)  convencional (A), com decolagem curta e aterragem vertical (B) e como variante  para os porta-aviões (C). Nos EUA a rede de produção dos F-35 compreende mais de 1400 empresas, em 46 estados e em Puerto Rico, que produzem milhares de componentes desse caça. No programa do F-35 participam oito sócios estrangeiros: Austrália, Canadá, Dinamarca, Grã Bretanha, Itália, Noruega, Holanda e Turquia. Os outros compradores são: Israel, Japão e Coreia do Sul.

A Ministra Trenta também parece ignorar que a adesão da Itália ao programa do F-35, na qualidade de sócio de segunda categoria, fortalece a ancoragem aos Estados Unidos, que o Governo do qual ela faz parte, define como um “aliado privilegiado” da Itália. A participação no programa F-35 liga ainda mais o complexo militar industrial italiano ao gigantesco complexo militar industrial USA. Assim, a decisão de participar no programa do F-35 é, essencialmente, uma escolha política.

A Ministra Trenta não diz que a principal indústria militar italiana – a Leonardo (antes, Finmeccanica), presente em 180 locais diferentes no mundo – fornece nos USA, produtos e serviços não só às Forças Armadas e às empresas do Pentágono, como também às empresas de Serviços Secretos (Inteligência). Por esta razão, foi confiada à Leonardo, em Itália, a gestão da fábrica de Faco di Cameri (Novara), na qual são montados os caças F-35 destinados à Força Aérea e à Marinha italiana e parte dos caças encomendados pela Holanda. As filiais de Foggia e Nola produzem as peças compostas e metálicas da caixa de asas completa, da qual Leonardo é a segunda produtora, igualmente para o F-35 das Forças Armadas dos EUA.

Mas a Ministra Trenta esqueceu-se, sobretudo, de anunciar a grande notícia: há dez dias, com base num contrato estipulado entre a Lockheed Martin e a Marinha dos Estados Unidos, foi estabelecido que Cameri será um dos cinco centros mundiais (três nos USA, um na Austrália e um em Itália) para a manutenção, reparação e actualização dos F-35.

A Ministra Trenta mantém, igualmente, silêncio sobre o facto de que, além dos poderosos interesses do complexo militar industrial, o F-35 está ligado à estratégia nuclear USA/NATO. Para obter toda a capacidade da nova bomba nuclear B61-12 que, a partir de 2020 o Pentágano distribuirá em Itália e noutros países europeus, são necessários os novos caças F-35A. O que implica a solução de outros problemas técnicos, que se juntam aos numerosos problemas verificados no programa F-35.

O complexo software do caça que, até agora, já foi modificado mais de 30 vezes, requer mais actualizações. Para converter os primeiros 12 F-35, a Itália terá de gastar cerca de 400 milhões de euros, que se juntam à despesa ainda não quantificada (estimada em 13-16 biliões de euros) para a compra dos 90 caças e para a sua modernização. Dinheiro que sai dos cofres do Estado (ou seja, o nosso dinheiro), enquanto as quantias derivadas dos contratos para a produção do F-35 entram nos cofres das indústrias militares.

A Ministra Elisabetta Trenta não referiu
tudo isto, no anúncio publicitário da Omnibus, assegurando que será o seu Ministério a “decidir, tendo unicamente  em conta, o interesse nacional”. Quando, pelo contrário, só existe uma maneira de garantir o interesse nacional: abandonar completamente o programa F-35.

(il manifesto, 7 de Julho de 2018)

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Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

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