Sunday, July 19, 2015

Português -- Grécia: O Som e a Fúria, Significam Muito - Paul Craig Roberts 15de Julho de 2015







Toda a Europa, como também os despreocupados americanos e canadianos, foram avisados da rendição do Syriza perante os agentes do Um Por Cento. A mensagem do colapso do Syriza é que o sistema de bem-estar social em todo o Ocidente irá ser desmantelado.

O Primeiro Ministro grego, Alexis Tsipras, concordou com os saques do Um Por Cento ao povo grego, no que diz respeito  à melhoria do bem-estar social que os gregos alcançaram no séc. XX, após a Segunda Guerra Mundial. As pensões de reforma e os cuidados de saúde para os idosos estão a tornar-se obsoletos. O  Um Por Cento precisa de dinheiro.


As ilhas gregas protegidas, os portos, as empresas de água, os aeroportos, toda a panóplia do património nacional deve ser vendida a favor do Um Por Cento. A preços irrisórios, é claro, mas as contas da água que vão surgir não serão insignificantes.

Esta fatia de austeridade é a terceira imposta à Grécia, austeridade que exigiu a cumplicidade do próprio governo dos gregos. Os acordos de austeridade serviram literalmente de capa ao saque de tudo que pertencia ao povo grego. O FMI é um dos membros da Troika que está a impor a austeridade, apesar dos economistas do FMI terem dito que foi provado que as medidas de austeridade são um erro. A economia grega foi afundada pela austeridade. Por esta razão, o endividamento da Grécia aumentou como um fardo. Cada tranche de austeridade torna mais difícil o pagamento dessa mesma dívida.

Mas, quando o Um Por Cento está a saquear, os factos não têm importância. A austeridade, que é a pilhagem, tem continuado apesar dos economistas do FMI não poderem justificá-la.

A democracia grega provou ser impotente. O saque continua, apesar de ter sido rejeitado há uma semana, pelo voto do povo grego. Então, o que observamos  é que Alexis Tsipras  é um Primeiro Ministro eleito que  não representa o povo grego, mas sim o Um Por Cento

O suspiro de alívio do  Um Por Cento foi ouvido em todo o mundo. O último partido de esquerda europeia, ou que passa por ser esquerdista, foi posto de rastos, assim como o Partido Trabalhista da Grã-Bretanha, o Partido Socialista francês e os restantes.

Sem uma ideologia para sustentá-la, a esquerda européia está morta, assim como está o Partido Democrata nos EUA. Com a morte desses partidos políticos, as pessoas já não têm qualquer voz. Um governo em que as pessoas não têm voz não é uma democracia. Podemos ver esse facto claramente na Grécia. Uma semana depois do povo grego manifestá-la decisivamente num referendo, o governo ignora-a e reconcilia-se com o Um Por Cento.

O Partido Democrata americano morreu com a colocação do trabalho noutros países e destruiu a base financeira do partido nos sindicatos de manufacturas. A esquerda europeia morreu com a União Soviética.

A União Soviética era o símbolo de que existia uma alternativa socialista ao capitalismo. O colapso da União Soviética e "o fim da História" privaram a esquerda de um programa económico e deixou a ala esquerda, pelo menos na América, com "questões sociais", tais como o aborto, o casamento homossexual, a igualdade de género e o racismo, que prejudicaram o apoio tradicional da esquerda à classe trabalhadora. A guerra de classes transformou-se na guerra entre heterossexuais e homossexuais, pretos e brancos, homens e mulheres.

Hoje, com os povos ocidentais a enfrentar o regresso à servidão e com o mundo à beira de uma guerra nuclear, resultante da reivindicação dos neoconservadores americanos, de serem o povo escolhido pela História com direito a impôr a hegemonia mundial, a esquerda americana está ocupada a odiar a batalha da bandeira confederada.

12. O colapso do último partido de esquerda da Europa, o Syrzia, significa que, a não ser que surja em Portugal, em Espanha e em Itália, partidos mais determinados, o bastão passa para os partidos de direita – para o partido da Independência do Reino Unido, liderado por Nigel Farage, para a Frente Nacional de Marine Le Pen, em França, e outros partidos da direita que defendem o nacionalismo contra o extermínio nacional, que é a adesão à União Europeia.

O Syriza não poderia ser bem sucedido, uma vez que não conseguiram nacionalizar os bancos gregos em resposta à determinação da União Europeia de fazê-los fracassar. O Um Por Cento grego tem os bancos e os meios de comunicação social e os militares gregos não mostram sinais de estar com o povo. O que vemos aqui é a impossibilidade de haver uma mudança pacífica, como explicaram Karl Marx e Lenin.

14. As revoluções e reformas fundamentais foram frustradas ou anuladas pelo Um Por Cento que foi deixado vivo. Marx, frustrado pela derrota das revoluções de 1848 e de acordo com a sua concepção materialista da História, concluiu, tal como Lenin, Mao e Pol Pot, que, deixar viver os membros da velha ordem, significava  a contra-revolução e o regresso das pessoas à servidão. Na América Latina cada governo reformista é susceptível de ser derrubado pelos interesses económicos norte-americanos, actuando em conjunto com as elites espanholas. Hoje, vemos esse processo a ser efectuado na Venezuela e no Equador.


Devidamente instruídos, Lenin e Mao eliminaram a velha ordem. O holocausto de classe foi muito maior do que qualquer do que qualquer coisa que os judeus tenham experimentado no holocausto racial nazi. Mas não há nenhum memorial desse mesmo nolocausto de classe.

Até hoje, os ocidentais não compreendem o motivo por que Pol Pot esvaziou as áreas urbanas do Camboja. O Ocidente repudia Pol Pot como sendo um psicopata e assassino em massa, um caso psiquiátrico, mas Pol Pot estava simplesmente a agir de acordo com a suposição de que, se ele permitisse que os representantes da velha ordem permanecessem vivos, a sua revolução seria derrubada. Para usar um conceito jurídico consagrado pelo regime de George W. Bush, Pol Pot antecipou-se à contra-revolução, atacando com antecedência  e eliminando a classe inclinada à contra-revolução. O genocídio de classe associado a Lenin, Mao e Pol Pot são um efeito colateral da revolução.


O Inglês conservador Edmund Burke disse que o caminho do progresso era a reforma, e não a revolução. A elite inglesa, embora arrastasse os calcanhares, aceitou a reforma em lugar de revolução, justificando, assim, Burke. Mas hoje, com a esquerda totalmente derrotada, o Um Por Cento não tem de concordar com reformas. A a única alternativa é estar em conformidade com o seu poder.

A Grécia é apenas o começo. Os gregos expulsos do seu país pela economia desbaratada, o desaparecimento do sistema de bem-estar social e a taxa extraordinária de desemprego irão levar a pobreza para outros países da União Europeia. Os membros da União Europeia não estão vinculados por fronteiras nacionais e podem emigrar livremente. O fim do sistema de apoio na Grécia irá conduzir os gregos aos sistemas de apoio de outros países da União Europeia que, por sua vez, serão encerrados pelas privatizações do Um Por Cento.


Começaram os Cercos do séc. XXI.

Nota sobre o título:

Uma nota sobre possessão demoníaca e suicídio do livro de William Faulkner - The Sound and the Fury = O Som e a Fúria

 No final, as palavras do  pai de Quentin soam aos nossos ouvidos como uma profecia terrível, quando se dirige ao filho, e diz :"Tu carregas o símbolo da tua frustração para a eternidade" (66). E, embora a narrativa de Quentin ocasionalmente corra paralela às histórias de Eubuleus e do homem possuído pelo demónio da região dos gerasenos, o acto final do suicídio parece confundir toda a lógica, toda a interpretação e toda a esperança religiosa. Se o suicídio de Quentin é uma tentativa para se libertar dos seus demónios e para quebrar  a "maldição" da sua família, parece ter sido um fracasso: 18 anos após a sua morte, a família continua a desintegrar-se, a sofrer e a cair num declínio irreversível; 18 anos após a sua morte, os velhos demónios sobrevivem, são transmitidos ​​e, no fim, são substituídos por outros novos.


Source: http://drc.usask.ca/projects/faulkner/main/criticism/jensen.html

Translator: The Light Journalist



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